"El
velamiento, la muerte, o la ausencia de una divinidad radicalmente
trascedente, o de fundamentos absolutos, convierte la existencia en una
escena traumática en la cual la angustia amenaza teñir, y tal vez
confundir, todas las relaciones. En lugar de ser una interacción tensa y
a veces paradójica de proximidad y distancia, solidaridad y crítica,
confianza y recelo, la relación de cada cual con cada otro puede calcar
el modelo de angustiosa 'relación sin relación' con una divindad
radicalmente trascendente (reconocida ahora, tal vez, como ausente) que
es enteramente otra"
LA CAPRA, D. Escribir la historia, escribir el trauma. p. 47-48
SÓ PARA VERSOS QUE LI...
quinta-feira, 19 de junho de 2014
sábado, 3 de maio de 2014
Paris é uma festa
E
a vida me tinha parecido tão simples naquela manhã, quando despertei, e
encontrei a falsa primavera, ouvi a gaita de foles do homem das cabras
e saí para comprar o jornal de corridas.
Mas Paris era uma cidade muito antiga, nós éramos jovens e nada ali era simples, nem mesmo a pobreza, nem o dinheiro súbito, nem o luar, nem o bem e o mal, nem a respiração de alguém que deitada ao nosso lado dormisse ao luar.
, E. Paris é uma festa. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2013. p. 73
Mas Paris era uma cidade muito antiga, nós éramos jovens e nada ali era simples, nem mesmo a pobreza, nem o dinheiro súbito, nem o luar, nem o bem e o mal, nem a respiração de alguém que deitada ao nosso lado dormisse ao luar.
, E. Paris é uma festa. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2013. p. 73
segunda-feira, 3 de março de 2014
Aula
"Entiendo
por literatura no un cuerpo o una serie de obras, ni siquiera un sector
de comercio o de enseñanza, sino la grafía compleja de las marcas de
una práctica, la práctica de escribir. Veo entonces en ella
esencialmente al texto, es decir, al tejido de significantes que
constituye la obra, puesto que el texto es afloramiento mismo de la
lengua, y que es dentro de la lengua donde la lengua debe
ser combatida, descarriada: no por el mensaje del cual es instrumento,
sino por el juego de las palabras cuyo teatro constituye. Puedo entonces
decir indiferentemente: literatura, escritura o texto. Las fuerzas de
libertad que se hallan en la literatura no dependen de la persona civil,
del compromiso político del escritor, que después de todo no es más que
un "señor" entre otros, ni inclusive del contenido doctrinario de su
obra, sino del trabajo de desplazamiento que ejerce sobre la lengua:
desde este punto de vista, Céline es tan importante como Hugo,
Chateaubriand o Zola."
"La ciencia es basta, la vida es sutil, y para corregir esta distancia es que nos interesa la literatura"
BARTHES, Roland. "Lección inaugural", ed. Siglo XXI, Buenos Aires, Argentina, 2003.
"La ciencia es basta, la vida es sutil, y para corregir esta distancia es que nos interesa la literatura"
BARTHES, Roland. "Lección inaugural", ed. Siglo XXI, Buenos Aires, Argentina, 2003.
quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
o prazer do texto
"... isto não quer de modo algum dizer que sou um especialista de
Proust: Proust, é o que me ocorre, não é o que eu chamo; não é uma
autoridade ; é simplesmente uma lembrança circular. E é bem isto o
intertexto: a impossibilidade de viver fora do texto infinito quer esse
texto seja Proust, ou o jornal diário, ou atela de televisão: o livro
faz o sentido, o sentido faz a vida."
BARTHES, Roland. O prazer do texto. Tradução: J. Guinsburg. São Paulo: editora perspectiva, 1987. p.49
BARTHES, Roland. O prazer do texto. Tradução: J. Guinsburg. São Paulo: editora perspectiva, 1987. p.49
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
a divina comédia: purgatório
"E, como fez-me o rosto levantar
que haviam parado, as primas criaturas,
de jogar flores pude averiguar;
e minhas luzes, pouco ainda seguras,
viram Beatriz olhando para a fera
que é um indivíduo só em duas naturas.
Sob seu véu constatei que ora supera
ela ainda mais a sua beleza antiga
que a das outras de quando aqui ela era."
ALIGHIERI, Dante. A divina Comédia: Purgatório. Tradução e notas de Ítalo Eugênio Mauro, São Paulo: Ed. 34. 2º edição, 2011. p. 204
que haviam parado, as primas criaturas,
de jogar flores pude averiguar;
e minhas luzes, pouco ainda seguras,
viram Beatriz olhando para a fera
que é um indivíduo só em duas naturas.
Sob seu véu constatei que ora supera
ela ainda mais a sua beleza antiga
que a das outras de quando aqui ela era."
ALIGHIERI, Dante. A divina Comédia: Purgatório. Tradução e notas de Ítalo Eugênio Mauro, São Paulo: Ed. 34. 2º edição, 2011. p. 204
domingo, 19 de janeiro de 2014
Contos completos
"Mas quando o eu fala com o eu, quem é que fala? - a alma sepulta, o
espírito empurrado para dentro, cada vez mais para dentro da catacumba
central; o eu que tomou véus e abandonou o mundo - um covarde talvez,
contudo belo de algum modo, quando em seu desassossego perpassa de
lampião na mão, a subir e descer nos corredores escuros. 'Não consigo
mais suportar isso', diz o espírito dela'."
WOOLF, Virginia. Um romance não escrito. In: Contos Completos. São Paulo: Cosac Naify, 2005. p. 159
WOOLF, Virginia. Um romance não escrito. In: Contos Completos. São Paulo: Cosac Naify, 2005. p. 159
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
As Horas
"Não temas mais o calor do Sol. Nem do Inverno as violentas fúrias.
É possível morrer. Laura pensa, de súbito, como ela como qualquer pessoa - pode fazer uma escolha dessas."
CUNNINGHAM, Michael. As Horas. São Paulo: Cia das Letras, 1999.
É possível morrer. Laura pensa, de súbito, como ela como qualquer pessoa - pode fazer uma escolha dessas."
CUNNINGHAM, Michael. As Horas. São Paulo: Cia das Letras, 1999.
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
Se te queres
Álvaro de Campos
Se te Queres
Se te queres matar, por que não te queres matar?
Ah, aproveita! que eu, que tanto amo a morte e a vida,
Se ousasse matar-me, também me mataria...
Ah, se ousares, ousa!
De que te serve o quadro sucessivo das imagens externas
A que chamamos o mundo?
A cinematografia das horas representadas
Por atores de convenções e poses determinadas,
O circo policromo do nosso dinamismo sem fím?
De que te serve o teu mundo interior que desconheces?
Talvez, matando-te, o conheças finalmente...
Talvez, acabando, comeces...
E, de qualquer forma, se te cansa seres,
Ah, cansa-te nobremente,
E não cantes, como eu, a vida por bebedeira,
Não saúdes como eu a morte em literatura!
Fazes falta? Ó sombra fútil chamada gente!
Ninguém faz falta; não fazes falta a ninguém...
Sem ti correrá tudo sem ti.
Talvez seja pior para outros existires que matares-te...
Talvez peses mais durando, que deixando de durar...
A mágoa dos outros?... Tens remorso adiantado
De que te chorem?
Descansa: pouco te chorarão...
O impulso vital apaga as lágrimas pouco a pouco,
Quando não são de coisas nossas,
Quando são do que acontece aos outros, sobretudo a morte,
Porque é coisa depois da qual nada acontece aos outros...
Primeiro é a angústia, a surpresa da vinda
Do mistério e da falta da tua vida falada...
Depois o horror do caixão visível e material,
E os homens de preto que exercem a profissão de estar ali.
Depois a família a velar, inconsolável e contando anedotas,
Lamentando a pena de teres morrido,
E tu mera causa ocasional daquela carpidação,
Tu verdadeiramente morto, muito mais morto que calculas...
Muito mais morto aqui que calculas,
Mesmo que estejas muito mais vivo além...
Depois a trágica retirada para o jazigo ou a cova,
E depois o princípio da morte da tua memória.
Há primeiro em todos um alívio
Da tragédia um pouco maçadora de teres morrido...
Depois a conversa aligeira-se quotidianamente,
E a vida de todos os dias retoma o seu dia...
Depois, lentamente esqueceste.
Só és lembrado em duas datas, aniversariamente:
Quando faz anos que nasceste, quando faz anos que morreste.
Mais nada, mais nada, absolutamente mais nada.
Duas vezes no ano pensam em ti.
Duas vezes no ano suspiram por ti os que te amaram,
E uma ou outra vez suspiram se por acaso se fala em ti.
Encara-te a frio, e encara a frio o que somos...
Se queres matar-te, mata-te...
Não tenhas escrúpulos morais, receios de inteligência! ...
Que escrúpulos ou receios tem a mecânica da vida?
Que escrúpulos químicos tem o impulso que gera
As seivas, e a circulação do sangue, e o amor?
Que memória dos outros tem o ritmo alegre da vida?
Ah, pobre vaidade de carne e osso chamada homem.
Não vês que não tens importância absolutamente nenhuma?
És importante para ti, porque é a ti que te sentes.
És tudo para ti, porque para ti és o universo,
E o próprio universo e os outros
Satélites da tua subjetividade objetiva.
És importante para ti porque só tu és importante para ti.
E se és assim, ó mito, não serão os outros assim?
Tens, como Hamlet, o pavor do desconhecido?
Mas o que é conhecido? O que é que tu conheces,
Para que chames desconhecido a qualquer coisa em especial?
Tens, como Falstaff, o amor gorduroso da vida?
Se assim a amas materialmente, ama-a ainda mais materialmente,
Torna-te parte carnal da terra e das coisas!
Dispersa-te, sistema físico-químico
De células noturnamente conscientes
Pela noturna consciência da inconsciência dos corpos,
Pelo grande cobertor não-cobrindo-nada das aparências,
Pela relva e a erva da proliferação dos seres,
Pela névoa atômica das coisas,
Pelas paredes turbihonantes
Do vácuo dinâmico do mundo...
terça-feira, 7 de janeiro de 2014
O fascínio do poço
"Pois embora haja momentos em que uma concha se mostra a ponto de
surpreender todos nós à luz do dia, com nossos pensamentos e anseios e
indagações e confissões e desilusões, de algum modo a concha deixa
alguma coisa escapar e uma vez mais nós escorremos de volta pela beira
do poço."
WOOLF, Virginia. O fascínio do poço In: Contos Completos. São Paulo: Cosac Naify, 2005. p. 325
WOOLF, Virginia. O fascínio do poço In: Contos Completos. São Paulo: Cosac Naify, 2005. p. 325
El valor de la narratividad en Hayden White: Crítica, ambivalencia y escritura de la historia.
"Ahora bien, así como no debemos elevar la narratividad a una
manifestación del Ser (Ricoeur) tampoco necesitamos purgar al escrito
histórico de toda narratividad (Barthes). Nuestras únicas alternativas
no son la epifanía o la distorsión."
"El valor de la narratividad en Hayden White: Crítica, ambivalencia y escritura de la historia." In: Verónica Tozzi and Nicolás Lavagnino (eds.), Hayden White, la escritura del pasado y el futuro de la historiografía. (Buenos Aires, EDUNTREF, Forthcoming 2012)
"El valor de la narratividad en Hayden White: Crítica, ambivalencia y escritura de la historia." In: Verónica Tozzi and Nicolás Lavagnino (eds.), Hayden White, la escritura del pasado y el futuro de la historiografía. (Buenos Aires, EDUNTREF, Forthcoming 2012)
sábado, 4 de janeiro de 2014
As horas
"Podia simplesmente deixá-los e regressar à sua outra casa, onde nem
Sally nem Richard existem, onde há apenas a essência de Clarissa, uma
rapariga que se transformou numa mulher, ainda cheia de esperança, ainda
capaz de tudo. É-lhe revelado que toda a sua mágoa e solidão, toda essa
estrutura frágil, deriva simplesmente de fingir viver neste apartamento
entre estes objetos, com a boa e nervosa Sally, e que, se partir, será
feliz, ou melhor ainda do que feliz: será ela mesma. Sente-se fugaz e
maravilhosamente só, com tudo pela frente."
CUNNINGHAM, Michael. As Horas. São Paulo: Cia das Letras, 1999.
CUNNINGHAM, Michael. As Horas. São Paulo: Cia das Letras, 1999.
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