SÓ PARA VERSOS QUE LI...

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

o prazer do texto

"Na guerra das linguagens, pode haver momentos tranqüilos, e esses momentos são textos ( A guerra, diz uma das personagens de Brecht, não exclui a paz... A guerra tem seus momentos pacíficos... Entre duas escaramuças, pode-se esvaziar muito bem um canecão de cerveja... ). Entre dois assaltos de palavras, entre duas majestades de sistemas, o prazer do texto é sempre possível, não como uma distração, mas como uma passagem incongruente dissociada de uma outra linguagem, como o exercício de uma fisiologia diferente." p. 41

"... todo escritor de prazer tem suas ruborizações imbecis (Balzac, Zola, Flaubert, Proust; somente Mallarmé talvez é senhor de sua pele): no texto de prazer, as forças contrárias não se encontram mais em estado de recalcamento, mas de devir: nada é verdadeiramente antagonista, tudo é plural." p. 43 


BARTHES, Roland. O prazer do texto. Tradução: J. Guinsburg. São Paulo: editora perspectiva, 1987.

sábado, 7 de dezembro de 2013

Bobók

Acho que o mais inteligente é quem ao menos uma vez por mês chama a si mesmo de imbecil — capacidade de que hoje não se ouve falar! Antes ao menos uma vez por ano o imbecil sabia sobre si mesmo que era imbecil, mas hoje, nem isso. E confundiram tanto a coisa que a gente não distingue o imbecil do inteligente.

DOSTOIÉVSKI, F. Bobók. Tradução de Paulo Bezerra. Editora 34, 2013.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

o sequestrado de veneza

"Nada acontece e nada dura, o nascimento é o espelho da morte; entre os dois há a terra arrasada, tudo é corroído pela má sorte"

SARTRE, Jean-Paul.O sequestrado de Veneza. Trad. Eloisa Araújo Ribeiro. São Paulo: Cosac Naify, 2005. p.25

O sequestrado de Veneza

"Só que em Veneza nada é simples. Pois não é uma cidade, não: é um arquipélago. Como poderíamos esquecer? De sua ilha, você olha a da frente com inveja: ali, há .. o quê? Uma solidão, uma pureza, um silêncio que não há, você juraria, do lado de cá. A verdadeira Veneza, onde quer que você esteja, está sempre em outra parte. Para mim, ao menos, é assim.  Normalmente, contento-me com o que tenho, mas, em Veneza sou presa de uma espécie de loucura invejosa, se não me contivesse estaria o tempo todo na ponte ou nas gôndolas, procurando desvairadamente a Veneza secreta da outra borda. Naturalmente, assim que a abordo, tudo desvanece, me volto: o mistério tranquilo formou-se novamente do outro lado. Há muito me resignei: Veneza está lá onde não estou."

SARTRE, Jean-Paul.Veneza de minha janela, In: O sequestrado de Veneza. Trad. Eloisa Araújo Ribeiro. São Paulo: Cosac Naify, 2005. p. 10

domingo, 1 de dezembro de 2013

"Estar com quem se ama e pensar em outra
coisa: é assim que tenho os meus melhores
pensamentos, que invento melhor o que e
necessário ao meu trabalho. O mesmo sucede com
o texto: ele produz em mim o melhor prazer se
consegue fazer-se ouvir indiretamente; se, lendoo,
sou arrastado a levantar muitas vezes a cabeça,
a ouvir outra coisa."

BARTHES, Roland. O prazer do texto. Tradução: J. Guinsburg. São Paulo: editora perspectiva, 1987. p. 34