SÓ PARA VERSOS QUE LI...

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Você esqueceu
isso acontece
só os mortos
não esquecem
já estou daquele jeito
que não tem mais conserto
ou levo você pra cama 
ou desperto.

. alice ruiz

segunda-feira, 13 de maio de 2013

as ondas

"Entre o tormentos e devastações da vida, existe este - nossos amigos não são capazes de concluir suas histórias."
 

 p. 43

la outra muerte

" En cuanto a mí, entiendo no recorrer un peligro análogo. He adivinado y registrado un proceso no accesible a los hombres, una suerte de escándalo de la razón; pero algunas circunstancias mitigan ese privilegio temible. Por lo pronto, no estoy seguro de haber escrito siempre la verdad. Sospecho que en mi relato hay falsos recuerdos. Sospecho que Pedro Damián (si existió) no se llamó Pedro Damián, y que yo lo recuerdo bajo ese nombre para creer algún día que su historia me fue sugerida por los argumentos de Pier Damiani. Algo parecido acontece con el poema que mencione en el primer párrafo y que versa sobre la irrevocabilidad del pasado. Hacia 1951 creeré haber fabricado un cuento fantástico y habré historiado un hecho real; también el inocente Virgilio, hará dos mil años, creyó anunciar el nacimiento de un hombre y vaticinaba el de Dios."

In: el aleph

as ondas

"Ah, Deus, fazei com que passem. Fazei com que deponham sua borboletas sobre um lenço no chão. Fazei com que contem sua borboletas- tartaruga, suas almirantes vermelhas, e as brancas. Deixai-me, porém, permanecer invisível."

  p. 18

deutsches requiem

"Ninguém pode ser, digo, ninguém pode provar um copo d'água ou partir uma fatia de pão, sem justificativa. Para cada homem essa justificativa é diferente; eu esperava a guerra inexorável que provaria nossa fé."

  in: o aleph,  p.74.

quinta-feira, 14 de março de 2013

O Fazedor


“Um homem se propõe a tarefa de esboçar o mundo.
Ao longo dos anos povoa um espaço com imagens de províncias,
de reinos, de montanhas, de baías, de naves (...) e de pessoas.
Pouco antes de morrer, descobre que esse paciente labirinto
de linhas traça a imagem de seu rosto”.

O retrato de Dorian Gray

Um livro não é, de modo algul, moral ou imoral. Os livros são bem ou mal escritos. Eis tudo. A aversão do século XIX ao Realismo é a cólera de Calibã por ver o seu rosto num espelho. A aversão do século XIX ao Romantiso é a cólera de Calibã por não ver o seu próprio rosto num espelho.

O retrato de Dorian Gray


 "... mas a beleza, a verdadeira beleza acaba onde começa a expressão intelectual. A intelectualidade é em sim mesma um mdoe de exagero e destrói a harmonia de qualquer rosto"

O retrato de Dorian Gray

" - Harry - disse Basílio Hallward, fitando-o nos olhos, - todo retrato pintado com sentimento é um retrato do artista, não do modelo. O modelo é simplesmente o acidente, a ocasião. Não é ele que o pintor revela; quem se revela sobre a tela colorida é o próprio pintor. A razão pela qual não exibirei esse retrato está no temor de mostrar nele o segredo da minha própria alma."

terça-feira, 5 de março de 2013

Avenida Niévski


Permaneceu deitado na cama até o meio-dia, desejando adormecer, mas ela não aparecia. Se ao menos por um instante ela revelasse seus maravilhosos traços, se ao menos por um minuto ressoasse o seu leve caminhar, se ao menos, num relance, a sua mão desnuda, reluzente como a neve de além das nuvens, surgisse à sua frente.

p.51

Avenida Niévski


Mente a qualquer hora essa Avenida Niévski, mas acima de tudo quando a noite cai sobre ela, na forma de uma massa compacta, destacando as paredes brancas e cor-de-palha das casas; então, a cidade inteira se transforma em estrondo e fulgor, miríades de carruagens projetam-se nas pontes e os boleeiros berram e pulam sobre os cavalos, quando o próprio demônio acende os lampiões apenas para tudo revelar sob uma falsa aparência.

p.91

Avenida Niévski


“Nosso mundo está organizado de uma forma surpreendente! – pensava eu enquanto caminhava anteontem, pela Avenida Niévski, rememorando esses dois episódios. – De que maneira estranha, incompreensível, joga conosco o nosso destino! Será que em algum momento recebemos aquilo que desejamos? Será que logramos aquilo para o que as nossas forças aparentemente foram feitas sob medida? Tudo acontece ao contrário. Àquele o destino proporcionou belos cavalos e ele passeia neles com indiferença, sem notar, em absoluto a sua beleza, - enquanto um outro tem uma paixão inflamada por eqüinos, mas caminha a pé e contenta-se apenas em estalar a língua quando por ele passa alguém conduzindo um trotão. Aquele possui um excelente cozinheiro mas, infelizmente, uma boca tão pequena que não permite, de maneira alguma, a passagem de mais de dois pedacinhos; um outro possui a boca do tamanho do arco do Estado- Maior mas, aí, deve satisfazer-se com qualquer almoço alemão, de batatas. De que estranha maneira brinca conosco o nosso destino!”

p.89

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

O vermelho e o negro


" A Sra. de Rênal pensava nas paixões como nós pensamos na loteria: engodo certo e felicidade buscada por loucos."

 p.66

O vermelho e o negro


"Mal entramos na cidade e nos sentimos atordoados pelo estardalhaço de uma máquina barulhenta e de aparência terrível. Vinte pesados martelos, ao cair com um estrondo que estremece o pavimento, são erguidos por uma roda que a água da torrente movimenta. Cada um desses martelos fabrica, a cada dia, não sei quantos milhares de pregos. São mocinhas viçosas e bonitas que apresentam aos golpes desses martelos enormes os pequenos pedaços de ferro rapidamente transformados em pregos. Esse trabalho, de aparência tão rude, é dos que mais espantam o viajante que penetra pela primeira vez nas montanhas da fronteira entra a França e a Helvécia."

 p.20

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Tudo que é sólido desmancha no ar.


" [...] esse horror tipicamente moderno foi explorado pela primeira vez por Dostoievski na sua parábola do Grande Inquisidor (Os Irmãos Karamazov, 1881). Diz o Inquisidor: 'O homem prefere a paz e até mesmo a morte à liberdade de discernir o bem e o mal. Não há nada de mais sedutor para o homem do que o livre-arbítrio, mas também nada de mais doloroso.' "

p.17-18

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

A divina Comédia


" E ele: 'Volta à tua velha conhecença
na qual se ensina que o ser mais perfeito
mais sente seja o bem e seja a ofensa'"

. Segundo a doutrina aristotélica adotada por Dante, quanto mais perfeitos os indivíduos, mais intensamente eles sentiriam tanto o prazer como o sofrimento .

 p.59

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Inferno, A Divina Comédia,


"Ó alma generosa mantuana,
de quem a fama ainda no mundo dura,
e durará quanto a memória humana,

o amigo meu, mas não de sua ventura,
tão na deserta encosta está impedido,
que, de pavor, sua volta já procura;

e temo que se encontre tão perdido,
que eu tarde esteja a o socorrer levada,
pelo que dele foi no Céu ouvido.

Vai então, e co'a sua fala ilustrada
e o que mais de salvá-lo for capaz,
ajuda-o para que eu seja confortada.

Eu sou Beatriz, que peço que tu vás,
venho de aonde retornar almejo,
amor moveu-me, que falar me faz."

 p.33

sábado, 19 de janeiro de 2013

Borges e os orangotangos eternos


"A cultura solar dos mexicanos era um reconhecimento de que eles nunca teriam uma idéia para cultuar mais valiosa do que o Sol, que o Sol compensava a falta de um Goethe. "


 p.14.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

O cortiço


" E um desgosto negro e profundo assoberbou-lhe o coração, um desejo forte de querer saltar e um medo invencível de cair e quebrar as pernas "

p.132