"No decorrer de todo serão, ele conversou comigo pouco, mas em cada uma das suas palavras a Kátia, a Sônia, em cada um dos seus movimentos e olhares, eu via o amor e não duvidava deste. Eu somente me aborrecia e tinha pena dele porque ainda considerava necessário disfarçar e fingir-se frio,quando tudo já era tão evidente, e quando seria tão fácil e simples tornar-se tão impossivelmente feliz." p. 35
"Mas porque ele não me diz simplesmente que me ama? - pensei. - Por que ele inventava não sei que dificuldades, chama a si mesmo de velho, quando tudo é tão simples e belo? Por que ele perde um tempo precioso, que talvez não volte nunca mais? Que ele me diga: amo, que o diga com palavras; que me tome a mão na sua, abaixe até ela a cabeça e diga: amo. Que enrubesça e baixe os olhos ante a mim, e então vou lhe dizer tudo. Ou não lhe direi, e apenas vou abraçá-lo [...] Mas, o que será se eu me engano e ele não me ama?" - acudiu-me de súbito à mente. p. 39-40
Lev Tolstói, Felicidade Conjugal, p. 39-40.