SÓ PARA VERSOS QUE LI...

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018



"No decorrer de todo serão, ele conversou comigo pouco, mas em cada uma das suas palavras a Kátia, a Sônia, em cada um dos seus movimentos e olhares, eu via o amor e não duvidava deste. Eu somente me aborrecia e tinha pena dele porque ainda considerava necessário disfarçar e fingir-se frio,quando tudo já era tão evidente, e quando seria tão fácil e simples tornar-se tão impossivelmente feliz." p. 35
"Mas porque ele não me diz simplesmente que me ama? - pensei. - Por que ele inventava não sei que dificuldades, chama a si mesmo de velho, quando tudo é tão simples e belo? Por que ele perde um tempo precioso, que talvez não volte nunca mais? Que ele me diga: amo, que o diga com palavras; que me tome a mão na sua, abaixe até ela a cabeça e diga: amo. Que enrubesça e baixe os olhos ante a mim, e então vou lhe dizer tudo. Ou não lhe direi, e apenas vou abraçá-lo [...] Mas, o que será se eu me engano e ele não me ama?" - acudiu-me de súbito à mente. p. 39-40
Lev Tolstói, Felicidade Conjugal, p. 39-40.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

"E você... disse ela, examinando-o. Era como se procurasse juntar duas versões diversas dele; o do telefone talvez e aquele, ali presente, de carne e osso. Ou haveria outras mais? Isso de conhecer as pessoas pela metade; de ser conhecido pela metade; essa sensação do olho pousado na carne como uma mosca que se move pesada... - como era incômodo, pensou; mas inevitável também depois de todos aqueles anos."
virginia woolf, os anos, p. 371-372

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

"Pedras dentro das barcas
Favos trincados
Embaçando as águas
Ai que cuidados 
Que fulgor de dentes
Para criar um espaço
De ausências no meu presente.
E envoltório de malhas
E escuros rosários
Feitos de sal e aço
Ai que cuidados
Para prender quem vive
Dessas cadeias
E morre
Só de pensar em não tê-las."
Hilda Hilst, da poesia, p. 378.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

"Resolvi que passaria o verão lendo Finnegans Wake e escrevendo minha tese.
Assim eu estaria bem adiantada quando as aulas recomeçassem em setembro e poderia curtir meu último ano de faculdade em vez de ficar estudando feito uma louca, sem maquiagem na cara e com o cabelo todo pegajoso, vivendo à base de café e Benzedrina, como a maioria dos formandos fazia para terminar suas teses."
Sylvia Plath, A redoma de vidro, p.138.