" -
Pois então, perguntei se ela gostava de Jean-Sol Partre, ela me disse
que colecionava as obras dele... Então eu disse: 'Eu também...'. E, cada
vez que eu lhe dizia alguma coisa, ela respondia: 'Eu também...' e
vice-versa... Então, no final, só para ter uma experiência
existencialista, eu disse a ela: 'Amo muito a senhora', e ela disse:
'Oh!'
- A experiência deu errado.
- É. Mas, mesmo assim, ela não
foi embora. Então eu disse a ela: 'Vou naquela direção', e ela disse:
'Eu não', e acrescentou: 'Vou por ali.'
- Extraordinário.
- Então eu disse: 'Eu também'. E, aonde quer que ela fosse, lá estava eu."
p.20-21
SÓ PARA VERSOS QUE LI...
sábado, 31 de agosto de 2013
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
"o círculo antropológico", in: história da loucura: na idade clássica
"Isso não significa que a loucura seja a única linguagem comum à obra e ao mundo moderno (perigos do patético das maldições, perigo inverso e simétrico das psicanálises); mas isso significa que, através da loucura, uma obra que parece absorver-se no mundo, que parece revelar aí seu não-senso e aí transfigurar-se nos traços apenas do patológico, no fundo engaja nela o tempo do mundo, domina-o e o conduz; pela loucura que a interrompe, uma obra abre um vazio, um tempo de silêncio, uma questão sem resposta, provoca um dilaceramento sem reconciliação onde o mundo é obrigado a interrogar-se. O que existe de necessariamente profanador numa obra retorna através disso e, no tempo dessa obra que desmoronou no silêncio, o mundo sente sua culpabilidade."
p.583-584
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