SÓ PARA VERSOS QUE LI...

quarta-feira, 31 de julho de 2013

rumo ao farol

E isso - pensou Lily pondo tinta verde no pincel-, esse hábito de inventar cenas sobre os outros é o que chamamos "conhecê-los", "pensar" neles, "gostar" deles! Não havia a menos verdade nisso; era uma total invenção; contudo, era desse modo que os conhecia. Continuou abrindo caminho em seu quadro, de volta ao passado"
 p.186

terça-feira, 30 de julho de 2013

rumo ao farol

"Os dois permaneceram ali, sorridentes. Ambos sentiram uma alegria em comum, exaltados pelas ondas em movimento; e então, pela corrida cortante e rápida de um barco que, tendo traçado uma curva na baía, parou, estremeceu, deixou tombar a vela, com um instinto natural para completar o quadro, após esse rápido movimento, ambos olharam para as dunas distantes e, em vez de alegria, uma certa tristeza abateu-se sobre eles - em parte porque tudo estava completo, em parte porque paisagens distantes parecem ultrapassar de um bilhão de anos (pensou Lily) aquele que as observa, e estar em comunhão com um céu que contempla uma terra em completo descanso."

p. 24

domingo, 21 de julho de 2013

nadja

"Cada vez que estive lá, senti que me abandonava pouco a pouco o desejo de sair, precisando argumentar comigo mesmo para escapar desse enlace tão suave, tão agradável e insistente demais e, em última instância, aflitivo."

nadja

"Porque a produção de imagens de sonho depende sempre pelo menos desse duplo jogo de espelhos, nela encontramos a indicação do papel muito especial, sem dúvida eminentemente revelador, no mais alto grau ‘supradeterminante’, no sentido freudiano, que certas impressões muito fortes são chamadas a desempenhar, nada contamináveis pela moralidade, verdadeiramente percebidas ‘acima do bem e do mal’ no sonho e, em seguida, no que lhes opomos muito sumariamente sob o nome de realidade."

  p.55