SÓ PARA VERSOS QUE LI...
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
dom casmurro
"Abane a cabeça leitor; faça todos os gestos de incredulidade. Chegue a deitar fora este livro, se o tédio já o não obrigou a isso antes tudo é possível. Mas, se o não fez antes e só agora, fio que torne a pegar do livro e que o abra na mesma página, sem crer por isso na veracidade do autor. Todavia, não há nada mais exato. Foi assim mesmo que Capitu falou, com tais palavras e maneiras. Falou do primeiro filho, como se fosse a primeira boneca.
Quanto ao meu espanto, se também foi grande, veio de mistura com uma sensação esquisita. Percorreu-me um fluido. Aquela ameaça de um primeiro filho, o primeiro filho de Capitu, o casamento dela com outro, portanto, a separação absoluta, a perda, a aniquilação, tudo isso produzia um tal efeito, que não achei palavra nem gesto fiquei estúpido. Capitu sorria; eu via o primeiro filho brincando no chão..."
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
Dom Casmurro
"Não consultes dicionários. Casmurro não está
aqui no sentido que eles lhe dão, mas no que lhe pôs o vulgo de homem
calado e metido consigo. Dom veio por ironia, para atribuir-me fumos de
fidalgo. Tudo por estar cochilando! Também não achei melhor título para a
minha narração - se não tiver outro daqui até ao fim do livro, vai este
mesmo. O meu poeta do trem ficará sabendo que não lhe guardo rancor. E
com pequeno esforço, sendo o título seu, poderá cuidar que a obra é sua.
Há livros que apenas terão isso dos seus autores; alguns nem tanto."
O tempo circular
Em
épocas de apogeu a conjetura de que a existência do homem é uma
quantidade constante, invariável, pode entristecer ou irritar; em tempos
de decadência (como estes), é a promessa de que nenhuma afronta,
nenhuma calamidade, nenhum ditador nos poderá empobrecer.
O tempo circular
In: História da Eternidade.
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